O arco e a boulevard, Coimbra, 2003

The arch and the boulevard, Coimbra, 2003

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Oportunidade para estudar -- no âmbito do projecto Inserções --, não só o futuro acesso mecânico do Parque à Alta, fazendo chegar, por cima do Botânico, e rapidamente, os utentes da linha de Serpins à zona da Universidade, mas também a verdadeira "inserção" da respectiva linha neste lugar específico de Coimbra.
A ligação entre o Parque e a Alta (68,00 m de desnível) poderia enquadrar-se em várias tipologias de resposta: elevador vertical e ponte de acesso, funicular oblíquo, teleférico, escadas mecânicas.
O prolongamento expressivo da massa arbórea do Jardim Botânico através da encosta, no entanto, desencoraja as três últimas soluções que precisariam de abrir (e depois manter), por entre as árvores, uma clareira de atravessamento com algum impacto, para poderem existir.
Por outro lado, um elevador vertical só fará sentido quando o acidente topográfico a vencer for uma falésia, também ela vertical.
Numa situação como esta, de encosta suave, a melhor solução pareceu-nos uma ponte em "arco", sobre a mata, vencendo o vão e o percurso, ao longo da qual deslizarão as cabinas de transporte de passageiros; forma que ganha, ainda, um incrível potencial de ex-libris, simultaneamente ecológico e vigorosamente artificial.
O arco, ao longe, por sobre o sky-line da cidade, com o seu quê de parque de diversões, introduz também um lado de alegria "fantástica".
A Avenida Emídio Navarro representa, juntamente com o seu Parque, uma "frente" de rio estruturada, moderna (à maneira do séc. XIX), arborizada, prolongando (e caracterizando) a cidade baixa em direcção a sul. A dimensão entretanto alcançada pelos enormes plátanos enche-a de personalidade e vigor dourando a luz que bate o Mondego; acaba, no entanto, um pouco sem glória ali, no local onde, historicamente, começava a linha da Lousã.
A operação "metro de superfície" deveria aproveitar o ensejo para promover a recuperação do Boulevard, recompondo o que terá sido o seu perfil, prolongando-o, e ao Parque, em seguida, outro meio quilómetro, até à vizinhança do Pavilhão de Hanover (já que, a partir daí, os violentos acessos à nova ponte comprometeram por muitos anos o retorno urbano daquela zona da cidade).
Colocam-se então -- e para discussão --, dois conceitos: de um lado, a conservação e a história; do outro, a tecnologia e a contemporaneidade.
Ao primeiro é confiado, como nunca no passado, um papel relevante na manutenção dos equilíbrios que se procuram na (e para a) cidade -- o metro ligeiro duplicando o Boulevard e recompondo o desejo de simetria e largueza que lhe esteve na origem.
Ao segundo, ao binómio tecnologia e contemporaneidade, pede-se-lhe que seja motor de imagem, forte e estimulante; um desenho que se projecta para o futuro, resolvendo um problema de mobilidade da cidade -- um arco branco atravessa o céu levando nas suas cápsulas de feira utentes por sobre o Botânico, numa viagem de sabor inesquecível.
Coimbra mais ágil, mais móvel, respeitando raízes, mas já revendo-se e exportando de si novas silhuetas.