Universidade Egas Moniz no Monte da Caparica, Almada, 1996-...
Egas Moniz University in Monte da Caparica, Almada, 1996-...
Começámos por traçar a ocupação do terreno com um "U" que deveria remeter para a ideia de campus. Aproveitando o declive do terreno, uma escadaria informal -- que servirá também como anfiteatro ao ar livre e cobertura das caves de estacionamento --, centraliza o meio do "U" que depois será faseadamente ladeado pelos edifícios de aulas, pela residência universitária, pela reitoria e anfiteatros.
Num segundo momento, tentámos trabalhar com o existente (pavilhão inicial), enquadrando-o, de modo a valorizar-lhe a imagem sem a conclamação de grandes artifícios. Um novo corpo (edifício politécnico) constrói-lhe um alçado a nascente como se fosse uma delgada máscara aposta. Entre eles, acomodam-se dois pequenos pátios. As cotas da nova construção, conjugadas com pisos vazados na entrada e a meio, permitem a continuidade de vistas a partir do existente.
O corpo máscara inflecte, depois, transformando-se num edifício mais largo. No topo, uma escada em "torrinha" marca com visibilidade e afirmação a chegada ao campus.
Procurou responder-se à preocupação da Universidade com a escolha de materiais de revestimento que dignificassem a proposta, com durabilidade assegurada, conseguindo, em simultâneo, uma significação de textura e cor dos diferentes volumes, de modo a que pudessem constituir-se num todo variado. Quase como um pequeno pedaço de cidade, onde tudo é diverso e se encosta, encontra e relaciona, para a solução de um mesmo problema.
Deste modo, a reitoria que simbolicamente ocupa o topo da alameda central, exibirá dois alçados, virados a sul, placados a lioz; porém, quase só um cenário, já que as paredes norte se abrirão em vidro para a fantástica paisagem sobre o Tejo e a Praça do Império em frente, em Lisboa.
Ao lado, o edifício dos auditórios, cego, é uma caixa de formas curvas e quebradas -- algumas paredes, cobertura -- toda envolvida em "monomassas" de brilho seco vermelho escuro, fortemente abstracta.
Em contacto com a fronteira nascente, um outro volume, cónico, cortado por um poço de luz central, albergará o edifício de serviços. Forrada a chapa de zinco, a peça ficará marcada por uma textura forte e nervurada.
O edifício politécnico tem as janelas e paredes corridas a persianado de alumínio, o que contribui para lhe assegurar uma serena horizontalidade. Ao lado, de geometria mais irregular, ainda que referida a enfiamentos e alinhamentos vindos da construção principal, o corpo dos serviços sociais do complexo (bar, refeitório, associações de estudantes e biblioteca): peça branca, protegida do sol, parcialmente envolta em mosaico vidrado, quase já só uma forma escultórica.
Finalmente, do outro lado da alameda, a residência de estudantes: comprida, revestida a azulejos, personalizada, no contexto geral e eficaz, enquanto "braço" de fecho a poente.
A resposta pretende, assim, cumprir o desígnio da arquitectura: invólucro físico que permite e potencia as diversas actividades do homem, sendo, em simultâneo, um símbolo oportuno dessas mesmas actividades.