Plano de Pormenor da aldeia da Estrela, Alqueva, Moura, 2004-...

Detail Plan for Estrela village, Alqueva, Moura, 2004-...

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A Estrela, pequena aldeia do concelho de Moura, foi profundamente abalada, geográfica, social e economicamente, como resultado da subida das águas do Alqueva.
Instalada sobre a linha de festo e alguns promontórios de um conjunto de montes a partir dos quais a população dominava o território agrícola em volta, viu-se transformada no espaço de um ano numa península.
Este acontecimento -- colateral em relação aos objectivos de construção da barragem --, se, por um lado se saldou numa extraordinária mais-valia paisagística que lhe trouxe um enquadramento excepcional, é também responsável pela disfunção social que hoje ocorre na Estrela, somada a uma difusa sensação de desconforto.
Pretende-se que o plano possa orientar o futuro crescimento da aldeia, enquadrando a procura turística que já se faz sentir, reencaminhando em simultâneo a população para novas actividades.
Olhámos o existente como se olha a nobreza de um casco histórico; tudo tentando fazer para que ainda que desinvestido possa adquirir outro brilho no contágio com o novo, para que a urgência de salvar economicamente o lugar possa vir a produzir novos sentidos, encontros, significados.
Procurámos cruzar o pedido do território e o desejo das populações com as diversas potencialidades de um desenho suficientemente aberto para antecipar as variantes da vida.
Ao longo da actual rua principal serão criados três pontos fortes que tentarão recentrar funcionalmente o povoado: a Praça da Estrela (chegada de visitantes e coincidência de um "nome"), o Largo da Igreja (descanso e encontro dos habitantes) e a Praça dos Ofícios (vendas e artesanato).
A rua principal será prolongada, a partir dos Ofícios, transformando-se numa "marginal", paralela à cota de enchimento da albufeira que reencontra a rua principal na Praça da Estrela, permitindo um claro circuito pela aldeia.
Uma passadeira em madeira, seguindo a última curva de nível, proporciona a peões e ciclistas um percurso invejável, bem como um remate "sólido" e "visível" sobre a linha de água.
Entre este caminho e a linha non-aedificandi dos 30,00 m, será estabelecido um Parque de ronda, entrecortado pela manutenção das hortas que hoje chegam à linha de água.
Uma série de "muros transparentes" (grelhas caiadas) deverão rodear os quintais mais expostos, garantindo alguma sistematização visual.
Os promontórios e as enseadas adquirem nome, ao serem localizados os pretextos e os equipamentos, possibilitando uma construção faseada.
Uma área de expansão, à volta do promontório das pousadas, permitirá uma "frente" propositadamente pequena, à escala da aldeia, próxima no entanto da zona mais consolidada da Estrela.
Um conjunto de ideias/localizações que dão conteúdo ao plano e se espera venham a servir de base a discussões mais alargadas. Discussões que terão que tomar em linha de conta também o que o espaço parece pedir ser, o que a população gostaria que fosse e as oportunidades reais (económicas, turísticas, culturais) que o desenho possa, neste balanço, potenciar.