Porta sul da Expo'98, Lisboa, 1994-1998
South gate of Expo'98, Lisbon, 1994-1998
A Porta Sul aliou a vontade de representação e simbolismo que foi desejada para os elementos de entrada na Expo, com a recuperação -- que empreendemos -- de uma estrutura industrial de grande impacto -- a antiga torre de cracking da Petrogal -- que permaneceu como memória afectiva da zona e que deveria transformar-se, ainda, num miradouro privilegiado de toda a nova área aberta a norte.
O edifício de apoio foi um longo navio "encalhado" pintado de salmão e marcado por planos de riscado metálico cinzento. Uma torrinha como uma perfilada chaminé anunciou, com desenho de Filipe Alarcão, o nome atribuído: Porta do Mar.
A ponte de peões em vidro opalino que à noite irradia luz fluorescente, desenha, através da sua utilização prática, agora que a travessia da Alameda poderá significar uma dificuldade, um momento duplamente simbólico: sítio que foi arco, porta, entrada, mas também embasamento à torre, permanece com o seu movimento brilhante e transparente, recolocando-a, significativa, ao nosso olhar contemporâneo.
A passagem é um pretexto, uma envolta à torre que a aproxima e observa, uma subida que gradualmente ganha cota e vê crescer um bocado da cidade iluminado ao longe.
O chão de Calapez estabelece um tabuleiro reconhecível que unifica o conjunto e abranda o movimento automóvel, domando-o; pedaços quase abstractos cujo sentido final só a vista área recuperaria.
Continuamos à espera que seja aberto o miradouro, no topo, pretexto maior da operação estratégica que decorreu em baixo.