Sete edifícios de habitação no Salgueiral Sul, Guimarães, 1998-2003

Seven residential buildings in Salgueiral Sul, Guimarães, 1998-2003

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Sete blocos de habitação anichados numa depressão quase natural, recatada da estrada mais movimentada que passa em cima. O sítio constitui-se num desafogo para o olhar, num sentimento de segurança e recolhimento, concha protegida  sobre superfícies verdes, com os blocos, banhados pelo sol, a voltarem ao vale, à zona agrícola e à luz, o seu calmo movimento.
Preparámos um esquema de caixas de escada, simples, côncavas e convexas que nos permitiu ir inflectindo troços de esquerdo/direito, de modo a resolver alguns dos problemas existentes no terreno: proximidade de linhas de alta tensão, cursos de água, enfiamentos paisagísticos.

O método, conjugado com a vontade de criar forma urbana significante, avalizou as restantes torções que, mais poeticamente, ainda fomos imprimir aos blocos.

Os topos são superfícies empenadas, generosos conóides truncados que ultrapassam a previsibilidade dos cortes a direito para que este tipo de bandas sempre remete. São empenas escultóricas e cegas quando se voltam à Estrada de Covas ou animadamente rasgadas por janelas de relação com a paisagem, nos extremos opostos, onde vivem os apartamentos mais excepcionais do conjunto.

Por entre salgueiros magros, eis o futuro bairro do Salgueiral, ao qual não faltará uma cosmopolita zona de comércio (espécie de "largo principal" do novo sítio), funcionando como antecâmara pública do sossego que se encontrará quando se entrar caminhando para sul, sob os blocos, atravessando o parque claramente desenhado e oferecido.